terça-feira, 26 de junho de 2007

Pseudo-ensaio

(republicação)

Taí: será que tudo é possível de ser explicado e nós (eu e os outros humildes humanos, em geral) não conseguimos por pura incompetência (sem descartar a possibilidade de deficiência, não esqueçamos) ou sim, existem coisas que realmente não podem ser explicadas, que não importa quanto tempo percamos, perplexos, refletindo acerca das mesmas, elas jamais se abrirão para nós, permanecendo para sempre imperscrutáveis? (Nota pessoal inútil: 'imperscrutável' é uma palavra difícil. Nunca sei como deve ser pronunciada. "Imperrrrscrutável"? "Imperssssscrutável"? Um bom tópico para debates.)

Por exemplo, o Universo. O que é o Universo? Será que um dia o homem, fazendo uso de toda sua inteligência e de todos os aparatos tecnológicos que essa inteligência ajudou a construir, conseguirá definí-lo? Espero que sim. Porque eu já não suporto mais olhar para o céu - especialmente à noite - e não saber que imensidão negra é essa que meus olhos vêem, trazendo a mesma pergunta à tona, todas as vezes: "Mas que porra é essa?". Não que não tenha um gostinho romântico essa minha relação com o Universo, mas que cansa, cansa. E essa história, de que o tempo é infinito pros dois lados, que o cosmo não nasceu, ele sempre existiu? Perturbadora. Como é que ficamos nós, leigos em física quântica, em outras palavras, pessoas normais? Devemos enlouquecer? Devemos prostrar-nos, chorando e gritando histericamente e batendo as mãos fechadas no chão, enquanto Stephen Hawking e sua corja riem de nós, provocadoramente? Provavelmente sim. (Ou talvez, nem eles compreendam nada e o sorriso deles venha não da provocação e do sentimento de superioridade, mas de sua capacidade de nos enganar.)

Já ouvi dizer em algum lugar que a maior sacada da Ciência foi afirmar que a verdade absoluta é inalcançável. Uma bela saída para a inépcia humana, para mascarar o fato de que nossa visão é limitada e que, se não desvendarmos o(s) significado(s) da vida, não foi por burrice, mas por determinação divina. Ou seja: querem fugir da responsabilidade de me esclarecerem de uma vez por todas o que há além dos limites do espaço (porque, se ele está se expandindo - e tão velozmente - pra algum lugar deve ser, não? E dizem os especialistas que é uma dimensão atemporal, adimensional... O quê?!?) e, principalmente, duas coisas: por qual motivo algumas pessoas têm a capacidade de mexer suas orelhas, algumas até com uma certa facilidade, enquanto eu, como outros injustiçados, não; e, segundo, por que alguns felizes cidadãos torcem para times que sempre vencem seus jogos e outras, como eu, torcem para o Botafogo, destinados a sofrerem e se amargurarem em eternos campeonatos perdidos? Não, não, não. Exijo que trabalhem em dobro, mas que me façam entender o que minha mente simplória, sozinha, não consegue. Tenho direitos, também sou filho de Deus. Ou não sou?

Deus. Esse é Outro que vive atentando nossas cabeças, ligando e desligando o botão da incerteza em nossas massas cinzentas. Existe ou não existe? Se existe, teve ou não um Filho? Se não existe, o que fazemos todos nós neste mundo e o que faço eu aqui, escrevendo toda esta baboseira em vão, que não aumentará a cultura de ninguém que a ler? Sinceramente, não sei nem ouso opinar, pois é incrível. Se não me contiver, as dúvidas vão brotando sem parar, tal qual pepinos, chuchus e outras verduras em uma plantação louca, onde as horas passam aceleradamente. Mas isso pode não ser problema: se minha fome de conhecimento for tão grande quanto a fome de alimentos das populações miseráveis do globo, pepinos e chuchus em demasia, penso eu, viriam bem a calhar.

Se não me engano, foi Russel quem disse que a inteligência de um homem se mede pela quantidade de incertezas que ele é capaz de armazenar - sem perder a noção das coisas. E receio que ele tenha acertado em cheio. Em nossas vidas, mais vale manter a lucidez a salvo, enquanto nossas dúvidas tentam assassiná-la a todo custo, do que submetê-la ao agoniante martírio da busca pelas Verdades. Pragmaticamente falando, claro. Em meu íntimo, sei que jamais deixarei de me aventurar pelas florestas do desconhecido, como um Indiana Jones da metafísica, incessantemente à procura das respostas para as coisas ditas imperscrutáveis. Imperrrrrscrutráveis. Imperssssscrutáveis. Sei lá.

Um comentário:

secoelho disse...
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